carta enfiada numa garrafa durante um naufrágio
antes mesmo da passagem dos anos, eu era capaz de conversar por horas e horas, sem sequer tentar desviar o assunto. trabalho, lazer, casa, comida, improvisos de um cotidiano que parecia isso mesmo: simples e feliz. mas sabe-se lá por quê, com que velocidade, deixa de existir a certeza de que íamos na melhor direção e a água começa a invadir as escotilhas, falta ar, falta tudo.
a água entrava pelas frestas. meu sorriso vago denunciava qualquer dispersão que eu nao era mais capaz de despistar. achavámos tão fácil improvisar dias de sol, noites de chuva sob as cobertas, filmes alugados, cinema no meio da semana. o mundo inteiro aos nossos pés, ao nosso gosto, com pitadas de alegriazinha delicada. o parco nos parecia abundanete, bastando, para isso, que nos olhássemos e nos sentíssemos ao redor. no entanto, depois disso, com o passar dos dias impiedosos, nossos diamantes viravam cacos de vidro vulgar. no lugar das florestas, os antigos desertos de era antes, quando ainda nao nos conhecíamos e o mundo parecia só chão. depois de nos conhcermos o mundo parecia só céu. por fim agora nem céu, nem chão, esfumaçado e terrível.
nao adianta pedir, nao sou eu quem dá as ordens. nao cumpro porque nao prometo. e, se prometesse, nao poderia mais que apensas isso. palavras. nao ressucitaria mais do que verbos, bem apresentadas palavras que aprendi nos livros queganhei de presente. minha força de antes nao me cabe neste papel.
e foi assim que percebi que enfraquecia. o preço do meu sorriso mais bonito, fixado naquela foto em que estávamos na praça, era alto. era impagável. nao há qualquer sentido nisso, não é?
mas temos sorte. temos memória. temos sorte porque as caixas de cartas estão em lugar seguro, longe de umidade e luz direta. temos sorte porque podemos nos desfazer dos sustos, dos improvisos danosos e de nossa falta de experiência. temos sorte, tem razão eu e voce, porque ainda somos eu e voce.
quando voce me pergunta porque nao sorrio como antes, o que é que há comigo? porque só consigo sentir um lampejo de saudade dos cuidados que a mamãe tinha por mim. tome água, corte as unhas, dê descarga e faça um prato balanceado. nao era bem isso, mas era assim que ela me convencia de uma alegria amorosa.
e, quando percebe a decadência deste encontro, voce pergunta pela minha força. o pior é nao poder lhe dar resposta nenhuma que o convença de grandes motivos. o pior é esta falta de razão para o fim, esta ausência de algo perturbador. nao há outro, nao há alguém que me desvie o olhar de voce, nao há raiva, nao há problema localizado, nada que eu possa lhe dizer e que nos faça inimigos. nada que possamos distinguir no antes de no depois. nada que possamos contar aos outros, nossos próximos parceiros, que nos livre deste gosto, nada tão amargo, nem tão seco. só nós dois somos a nossa explicação, perdemos a força, como se fosse na subida.
é melhor se acostumar, temo pelas minhas frases cheias de citações de sua autoria. lamento que nao consiga conversar sem chegar ao impropéroio. é que nao tenho nada a dizer que o convença. creia. ontem era, hoje já nao é. como os calendários feitos de folhinhas soltas. fizemos escolhas erradas alguma vez. e o dia era tão imenso que prestamos antenção. era dia. nao vimos quando a luz se perdeu. fizemos nossa própria lei e seguimos caminhos diferentes. e o que ficou?
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
♦ αnα luizα αlves & rαyzα αmorim,
você é insuportável, viu garota?! Deus me livre das suas piadinhas fora de hora, seus apelidos idiotas feitos pra mim (u_u) suas brincadeiras de retardada mental. kkk
mas quer saber? acho melhor Deus nao me livrar nao, sem voce nao tem graça, nao tem quem consiga ser mais chata que voce. (y)
de principio pensei que conseguiria tirar isso de letra, mas voce nao é fácil. -q
7anos. <3
mas quer saber? acho melhor Deus nao me livrar nao, sem voce nao tem graça, nao tem quem consiga ser mais chata que voce. (y)
de principio pensei que conseguiria tirar isso de letra, mas voce nao é fácil. -q
7anos. <3
αnα luizα αlves + rαyzα αmorim ♣
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